quinta-feira, 6 de abril de 2017

A aposentadoria é mesmo o fim?

Nos últimos meses, uma das discussões mais acaloradas que presenciamos no Brasil é a respeito da reforma previdenciária proposta pelo Governo Temer, que alguns consideram imprescindível para que as contas públicas sejam reestruturadas, implicando na redução do endividamento do Estado. Outros entendem que a reforma não pode ser feita, sob pena de provocar prejuízos e perda de direitos à classe trabalhadora.

Entretanto, independente de ser favorável ou não à reforma previdenciária, entendo que muito desta discussão se deve à forma com que encaramos a aposentadoria. Normalmente, se entende que a aposentadoria resulta em um idoso que não será mais produtivo, se limitando a descansar ou a jogar dominó. E a evolução do ser humano tem insistido em nos mostrar que as coisas não são assim.

O ser humano, em todo o mundo, tem vivido cada vez mais, e consequentemente precisa se manter por mais tempo, o que também alonga a sua "vida útil" e a sua necessidade de trabalhar, o que não que dizer que as pessoas tenham de exercer as mesmas atividades remuneradas durante 50 ou 60 anos a fio, algo que imagino que seria enfadonho na maioria dos casos.

Idosa trabalhando: a aposentadoria nem sempre é o fim da vida profissional
Crédito: visaopopular.net.br
Assim, o mercado vai buscando criar oportunidades de manter o idoso ativo, aproveitando a sua experiência e maturidade, a exemplo do que o Sebrae fará (aqui), contratando profissionais aposentados que trabalharam pelo menos 10 anos em instituições bancárias para prestar consultoria, ou seja, mantendo estas pessoas ativas, mas não sob o regime intenso de metas tão típico do setor bancário.

O idoso vai complementar o valor da aposentadoria oficial, vai se manter ativo e vai ter a oportunidade de direcionar sua experiência para outro tipo de atividade, e de certa forma, não disputará espaço com profissionais mais jovens, e que precisam ainda trilhar seu próprio caminho. A aposentadoria não precisa ser o fim da vida profissional de alguém, a não ser naqueles casos em que realmente a atividade exercida era excessivamente extenuante ou envolvia riscos para a saúde.

Além disto, temos um sistema previdenciário que precisa de contribuições, adequando-se à "pirâmide etária", com uma população cada vez mais idosa, com um percentual de beneficiários que cresce a cada dia, e que tem um número de desempregados que se elevou bastante nos últimos dois anos. Esta é uma realidade não só do Brasil, mas de outros países, a exemplo dos Estados Unidos, em que a idade mínima para aposentadoria já é de 65 anos, exatamente aquilo que pretende o atual governo.

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