segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Tempos de intolerância

Vivemos atualmente, acho que não só no Brasil, mas no mundo, tempos de intolerância, em que o diferente não é só visto como diferente, mas sim como algo que precisa ser destruído, desmoralizado e eliminado.

As polarizações de qualquer tipo (conservador x liberal, esquerda x direita, socialista x capitalista, etc...) se acirraram e tem ultrapassado bastante os limites do civilidade, nos aproximando cada vez mais da barbárie e da falta de respeito. Os conceitos e ideias não são mais discutidos, mas sim as pessoas, sempre de forma depreciativa, afinal, "eu estou certo e se o outro é diferente, ele está errado".

Um bom exemplo é o falecimento da ex-Primeira Dama do Brasil, Marisa Letícia, fato este para o qual não faltaram atitudes desrespeitosas, a começar por médicos, que no afã de se exibir para seus pares ou por motivação partidária-ideológica, extrapolaram os limites éticos de sua profissão, exibindo informações sigilosas ou indicando formas não de salvar Marisa Letícia, mas sim de apressar sua morte. Crueldade parecida com a que vi em comentários quando da morte do filho do Governador Geraldo Alckmin.

Depois, do lado contrário, surgem alegações de que ela teria sido "assassinada" por estar sendo investigada com sua família pela operação Lava Jato. Seguindo esta lógica, conclui-se que outros investigados, que também possuem problemas de saúde não deveriam ser investigados. É evidente que a tensão de uma situação como esta interfere na saúde, mas também é de se pensar que, sem delitos, em princípio, não haveria investigações, e dissabores. 

Assim, tivemos o gesto de solidariedade do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ao deixar seus pêsames ao ex-Presidente Lula, retribui gesto igual, de 2008, quando do falecimento da ex-Primeira Dama Ruth Cardoso. A boa educação manda que divergências político-partidárias e ideológicas sejam deixadas de lado em uma hora como esta, se não para manifestações expressas de solidariedade, pelo menos em respeito ao luto dos familiares e amigos.

Porém, este ato foi atacado dos dois lados, e a intolerância apareceu mais uma vez, em grande escala, turbinada pelos campos de comentários dos sites de notícias e redes sociais. Concordo com o que li em reportagens, de que vivemos um tempo em que o ato de comentar uma notícia acumula também o exercício de descarregar as frustrações e aborrecimentos, de forma que poucos escapam da crueldade de certos comentários, com a proteção do anonimato do teclado. Seja negro, gordo, homossexual, conservador, branco, heterossexual, etc..., poucos passam incólumes pelos "tribunais" da internet.

O fato é que, se o povo brasileiro não voltar a exercitar a tolerância (não confundir com leniência, letargia ou conivência), não com os atos ilícitos, mas sim com aquele que ousa cometer "crime de opinião", a escalada de agressividade vai ganhar cada vez mais força e ninguém mais vai poder se expressar livremente. É isto mesmo que queremos?

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