terça-feira, 9 de agosto de 2016

Atletas de alto rendimento: o campo de batalha interior

Estamos em pleno período de Olimpíadas e mais uma vez fica nítido que a linha que separa a glória de uma medalha e o fracasso é realmente muito tênue. Assim é o mundo do esporte de alto rendimento. Os atletas brasileiros, por exemplo, disputando os jogos em seu país, tem sido pressionados a apresentar resultados melhores do que de costume.

O judô, modalidade na qual o Brasil tem apresentado boas performances nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, por enquanto, não atende as expectativas que vinham inclusive da imprensa do exterior. As eliminações precoces dos candidatos a medalhas Sarah Menezes (ouro em Londres 2012) e Felipe Kitadai (bronze em Londres 2012) foram muito sentidas, porque havia altas expectativas, que não se concretizaram. De outro lado, Rafaela Silva, saiu de uma eliminação dolorida em 2012, que ganhou contornos dramáticos com os ataques racistas sofridos por ela logo depois, para uma redenção digna de filme e uma medalha de ouro que orgulhou os brasileiros no Rio. 

Essa dicotomia (sucesso x fracasso), no entanto, varia de acordo com a perspectiva sob a qual é analisada. Por exemplo, a eliminação nas quartas-de-final, de Natalie Moellhausen, na esgrima, foi reconhecida como um avanço ou um sucesso, e de fato é isso mesmo. Afinal, esta foi a melhor participação brasileira na esgrima feminina e não há qualquer investimento nesta modalidade, tanto que Natalie é italiana naturalizada brasileira, mora e treina na França.

Ana Derek: nota zero que precisará ser superada
Por outro lado, na ginástica olímpica, esporte em que esta mesma dicotomia é muito forte, tivemos casos de superação e verdadeiros dramas. De um lado, Diego Hypólito superou as quedas nas provas de solo em duas edições das Olimpíadas com uma nota excelente no Rio. Agora foi sua irmã, Daniele Hypólito, que desta vez caiu na mesma prova. E o que dizer da ginasta croata Ana Derek, de 17 anos? Uma nota zero na primeira das provas disputadas, decorrente de um erro de execução e do natural nervosismo.

Porque credita-se a obrigação de medalhas de ouro, por exemplo, aos tenistas Serena Williams e Novak Djokovic (por sinal, eliminado na primeira rodada no torneio de simples), à Seleção Brasileira de futebol masculino e à Seleção Americana de basquete masculino? Porque há uma condição de recursos acima da média, que cria tais expectativas, já que no mesmo torneio, estão uma seleção de futebol com um jogador como Neymar, que tem salário anual de vários milhões de dólares e a amadora Seleção de Fiji ou a sofrida Seleção do Iraque, que conseguiu um empate sem gols justamente contra o Brasil.

Aqui entra em jogo, portanto, o aspecto psicológico, para o qual já existem até especialistas na área esportiva. Isto é muito importante porque normalmente quando não há lesões, as chamadas "zebras" vem do aspecto psicológico, da pressão, da expectativa e da obrigação de vencer, porque as probabilidades e os especialistas assim indicam.

A mente tem um enorme poder tanto de ajudar quanto de complicar, criando-se assim um campo de batalha interior, o que torna fundamental os investimentos que as entidades esportivas precisam fazer para o aprimoramento psicológico dos atletas, tanto para controlar a tensão na hora das competições quanto para saber lidar bem com o sucesso e o insucesso.

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