terça-feira, 21 de junho de 2016

S.O.S. Futebol Brasileiro!!!!

Nos últimos anos, a Seleção Brasileira de Futebol tem convivido com uma sucessão de resultados vexaminosos e com um evidente desinteresse dos fãs de futebol. Basta conversar com as pessoas que você conhece e lembrar de como era, por exemplo, 20 anos atrás, quando até os anúncios de convocação e as partidas amistosas mobilizavam as pessoas, o que atualmente não acontece nem mesmo em jogos oficiais.

Existe uma série de razões para explicar a atual situação da Seleção Brasileira, e eu destacaria as duas principais delas: a atual qualidade técnica dos jogadores brasileiros, bem inferior à de outras épocas e os escândalos recentes de corrupção envolvendo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com direito a dirigentes presos, investigados e em alguns casos, que nem saem do país com medo das sanções e punições no exterior. Tudo isso implica em grandes perdas técnicas e financeiras para a CBF e o futebol brasileiro, já que a marca "Seleção Brasileira" se desvaloriza a olhos vistos.

A baixa qualidade técnica dos jogadores se deve ao fato de que outros países se planejaram e investiram para se aprimorar, a exemplo da Alemanha, a partir do começo dos anos 2000. Isto resultou em uma seleção forte, capaz de golear o Brasil por 7 X 1, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, em pleno solo brasileiro. Além disto, nossos jogadores não só não permanecem no Brasil, como salvo algumas exceções, tem preferido centros que pagam mais, como China, Rússia, Ucrânia e alguns países árabes, mas não tem a competitividade e o desenvolvimento futebolístico dos principais campeonatos europeus. Assim, vimos o futebol brasileiro parar no tempo e acreditar que talentos como Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo e Zizinho continuariam "brotando" do chão, sem qualquer planejamento.

Problemas éticos

No meio deste turbilhão, que começou no 7 X 1 da Copa do Mundo 2014, e persistiu em uma eliminação patética ainda na primeira fase da Copa América Centenário 2016, e com a Seleção fora da zona de classificação para a Copa do Mundo Rússia 2018, a CBF optou por trocar o treinador Dunga por Tite, que treinava o Corinthians. Esta é, claro, mais que uma mera troca de um gaúcho por outro, mas precisamos de uma mudança muito mais ampla para que sejam alcançados os resultados desejados.

Dunga e seu sucessor Tite
Tite representaria esta mudança, ao menos em parte, já que manifestou-se publicamente contra o modus operandi da CBF ao assinar um manifesto do movimento Bom Senso F.C. A escolha do ex-jogador Leonardo como gestor também dá esperanças, considerando-se o vasto currículo dele em clubes como Milan e Paris Saint Germain. Ainda assim, é preciso muito mais, pois é preciso superar uma praxe de escândalos, convocações financeiramente negociadas, práticas amadoras e absoluta ausência de governança corporativa para que possamos ir mais longe.

Dado o gravíssimo estado de coisas do futebol brasileiro, entendo que a solução passaria pela adoção imediata de uma intervenção judicial, como a que ocorreu em 2013 no Esporte Clube Bahia, não somente na CBF, mas também nas federações estaduais, que costumam dar suporte aos absurdos da entidade nacional, bem como tem em seu comando dirigentes que vem se perpetuando no poder, uma das pragas que o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (PROFUT) vem combater.

A recuperação técnica e o aprimoramento ético do futebol brasileiro resultariam também em uma recuperação financeira e de imagem, e essa evolução como atividade econômica serviria de (bom) exemplo neste momento em que há uma pesada exigência por parte da sociedade por lisura e eficiência. Esta exigência é plenamente aplicável à CBF, pois apesar de ser uma entidade privada, esta opera uma paixão nacional, e que até pode ser considerada pública: a Seleção Brasileira de Futebol.

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