terça-feira, 27 de outubro de 2015

Não feche as portas. Não queime as pontes.

Quando um profissional vai deixar um emprego, seja por ter aceito uma proposta mais vantajosa, seja por uma demissão, é importante que as "portas" sejam mantidas abertas, e que as "pontes" sejam mantidas em condição de travessia. Não só porque pode-se precisar voltar aquele emprego, mas também porque aqueles contatos poderão ser bons divulgadores de suas competências.

Mais uma vez vamos à Fórmula 1, que é algo que aprecio bastante, para conseguirmos um exemplo do que quero dizer. Vejamos o piloto espanhol Fernando Alonso, que estreou na pequena equipe Minardi, em 2001, como futura estrela. Ao chegar à equipe Renault, conseguiu suas primeiras vitórias, pole positions e seus dois títulos, nos anos de 2005 e 2006. Mas a sua saída da Renault foi conturbada.

Alonso, quando começou a enfrentar dificuldades, no ano do bicampeonato, chegou a declarar que a equipe parecia estar com saudades de quem já havia saído, em clara referência a seu então adversário, Michael Schumacher, da Ferrari, que já havia trabalhado na Renault, quando esta era conhecida como Benetton, sendo campeão em 1994 e 1995. Assim, Fernando Alonso assinou 2 anos de contrato com a tradicional McLaren.

Entretanto, Alonso só cumpriu um ano na equipe inglesa, o de 2007, na qual teve a forte concorrência do surpreendente estreante e piloto formado na McLaren, Lewis Hamilton. Alonso sentiu-se desprestigiado por não mais ser tratado como estrela única do time, retornando assim à agora mediana Renault em 2008, já sonhando com uma transferência para a Ferrari, no que a imprensa espanhola ajudou bastante, naquele ano e no seguinte, sempre com "notícias" de que os pilotos da escuderia, Kimi Raikkonen e Felipe Massa, seriam demissionários.

Em 2010, o novo sonho de Alonso realizou-se. A Ferrari pagou antecipadamente 1 ano de salários e demitiu Kimi Raikkonen, campeão em 2007, e que estava em má fase. Na Ferrari, Alonso conseguiu reunir em torno de si toda ou quase toda a estrutura da equipe, o que dificultou muito a vida de Felipe Massa. Em 5 campeonatos, Alonso acumulou 2 vice campeonatos e algumas discussões porque agora era a Red Bull a equipe a dominar o circo, com os 4 títulos seguidos (2010 a 2013) de Sebastian Vettel. 

Em 2014, o clima azedou de vez com a mudança da cúpula da Ferrari, que tirou Stefano Domenicali do comando técnico da equipe e Luca di Montezemolo da presidência. Se ambos estavam acostumados com as coisas do "circo" e até certo ponto aceitavam o que Alonso fazia (inclusive as reclamações públicas), seus respectivos substitutos, Maurizio Arrivabene e Sergio Marchione, eram homens de negócios, com perfil corporativo. Rapidamente eles deixaram claro que daquela forma, Alonso não interessava à Ferrari, e assim, Alonso começou a buscar outra equipe, sendo a única opção viável a McLaren, que por sua vez exigia 2 anos de contrato, quando Alonso queria apenas 1 ano, para poder tentar nova mudança se o cenário exigisse.

Como havia o impasse com Ron Dennis e a McLaren, Alonso ainda deu declarações no sentido de tentar permanecer na Ferrari, mas já era tarde. Dias depois, Sebastian Vettel era anunciado e Alonso via-se "obrigado" a retornar à McLaren, que agora, com um projeto novo, enfrenta sérias dificuldades e pouquíssimas perspectivas de vitórias e títulos no curto prazo.

Assim, Fernando Alonso vem desperdiçando seu talento e deverá encerrar sua carreira em 2 campeonatos mundiais, quando poderia ter ganho mais, se administrasse melhor sua carreira, ou ainda, se não queimasse as pontes e nem fechasse as portas.

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