segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Inflação em alta e consumo em baixa: é possível?????

Vivemos agora no Brasil uma época de muitas discussões, e principalmente, de muita insatisfação sobre o quadro econômico e político do país. Insatisfação crescente, a ponto de famílias já terem deixado o país e emigrado para países como Canadá, Austrália, França e Estados Unidos. Indiscutivelmente a situação é muito difícil e requer medidas imediatas.

Um aspecto importante da situação econômica do Brasil que quero focar aqui é baseado em um comentário que um amigo meu fez na semana passada, sobre como seria possível a inflação estar crescendo, sendo que o PIB está diminuindo, ou seja, a atividade econômica, e a demanda/consumo estão diminuindo. Pela lógica comum, a inflação é uma alta de preços que decorre de uma demanda maior que a oferta de bens e serviços. Então, como isto pode acontecer????

Isto acontece porque o tipo de inflação que temos agora não é de demanda, mas sim uma inflação de custos. Observem que tivemos aumentos recentes dos preços da energia elétrica e da gasolina, que são custos com impacto para qualquer empresa. Além disto, a política de austeridade fiscal agora implantada visa o aumento da arrecadação de impostos, o que também pesa na formação dos preços. Os custos de produção se aplicam, ao menos os custos fixos, independentemente do número de unidades que sejam vendidas. E olha que eu nem abordei aqui as últimas altas da taxa SELIC, que impactam fortemente na engenharia econômica das empresas...

Imagine que uma fábrica vende camisas a um preço de R$ 20,00 cada, e vendia até o ano passado uma média de 20.000 unidades por mês, com um faturamento bruto médio de R$ 400 mil mensais. Agora, com os aumentos da energia elétrica e da gasolina, além dos impostos e da inflação dos últimos meses, a venda pode ter caído para, por exemplo, 16.000 unidades mensais, mas mesmo assim, o preço precisa ser reajustado, para, digamos, R$ 23,00, com faturamento bruto médio de R$ 368 mil mensais. É uma situação que contraria a lei de oferta e demanda, mas é plenamente possível, e está acontecendo.

As falhas na condução da economia brasileira que levam a este tipo de situação não são novas e já foram abordadas neste blog antes: infra estrutura precária, alta carga tributária, excesso de burocracia, falta de mão de obra qualificada, altas taxas de juros que vem dos baixos estoques de poupança, a corrupção endêmica, enfim, fatores que limitam a expansão das potencialidades econômicas do país e prejudicam o seu crescimento e desenvolvimento econômico.

O momento, na minha modesta opinião, requer exatamente o contrário. Requer a viabilização de mais empreendedorismo, com melhores condições de competitividade, sob pena de afundarmos em uma recessão que provoque a "quebra" das empresas e um surto ainda mais forte de desemprego. Da parte das empresas, é importante que não tentem aproveitar este momento para aumentar a margem de lucro, pois claramente a população está reduzindo o consumo, buscando precaver-se contra momentos ainda mais difíceis da economia.

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