sábado, 20 de junho de 2015

Brasil: avaliar para saber votar!

Foi divulgada neste sábado uma pesquisa do Datafolha na qual a Presidente Dilma Rousseff teve seu governo reprovado por 65% dos entrevistados, um índice próximo ao apresentado pelo ex-Presidente Fernando Collor pouco antes do impeachment sofrido em 1992. Esta avaliação do segundo mandato da Presidente Dilma se dá em seu sexto mês, sendo que o mandato tem 4 anos de duração, ou seja, o nível de insatisfação já está elevado após terem transcorridos apenas 12,5% do mandato!

Esta situação me fez pensar e refletir que, elegemos candidatos aos diversos cargos políticos no Brasil e não os avaliamos periodicamente, quer dizer, eles até são avaliados em pesquisas de opinião pública dos diversos institutos, mas a ressonância dessas informações na administração pública, no máximo, limita-se à revisão das estratégias partidárias e eleitorais (ou eleitoreiras), sem qualquer impacto nas políticas públicas ou no grau de empenho dos políticos.

O que desejo humildemente propor aqui é que haja avaliações de opinião pública oficiais e periódicas de todos os cargos públicos, conduzidas semestralmente ou anualmente pelos órgãos de controle e conformidade, com vistas a permitir que a sociedade possa dar feedbacks das escolhas realizadas nas urnas, evitando assim que este seja o único momento em que avaliamos de fato os políticos, um momento no qual estamos bombardeados por jingles, acusações, promessas e disputas, enfim, um clima essencialmente emocional e pouco racional.

Como poderia ser esta avaliação? No caso dos cargos do Poder Executivo, os governantes seriam avaliados pela população nas diversas áreas (saúde, educação, segurança, etc...) que fossem cabíveis a cada esfera (federal, estadual ou municipal) e ao fim, para as áreas críticas, que tivessem aprovação inferior a 70%, eles teriam, por lei, de apresentar um plano para ser executado até a avaliação seguinte, quando seu cumprimento e eficácia também seriam avaliados. No caso do Poder Legislativo, a avaliação teria de ser no "atacado", por instância, e então, avaliaríamos as Câmaras Municipais, as Assembléias Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, com as mesmas implicações.

Entendo que assim, nós, a sociedade, participaríamos e teríamos interferência na forma com que o governo executa suas atribuições e cumpre (ou não) tudo aquilo que é prometido, naquele momento emocional chamado campanha eleitoral. Se vivemos de fato em uma democracia, temos que também ser formadores da pauta de ação de um governo e avaliá-lo constantemente, ao invés de somente entregar tudo aos políticos e esquecer por 4 anos, até a próxima eleição.

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