domingo, 23 de novembro de 2014

Conflito de gerações: O "X" e o "Y" da questão

Um dos maiores desafios das empresas no mundo moderno é, paradoxalmente, a evolução dos seus quadros ao longo das gerações, culminando neste momento com a chamadas "Geração X" e "Geração Y", que são gerações de pessoas com novas demandas, novos conceitos e novas aspirações. Neste momento de transição, em que estas gerações, no geral, ainda não lideram as empresas e são lideradas por gerações anteriores, é, em muitos casos, um momento de conflito.

A "Geração X" é na verdade um conceito sociológico, que abrange aqueles que nasceram no período compreendido entre as décadas de 1960 e 1970. Alguns autores ampliam este período para até a primeira metade dos anos 80. Esta é uma geração que entre outras coisas, conheceu o mundo sem a internet, sem telefones celulares (que dirá smartphones e aplicativos...), sem a TV a cabo, conheceu o LP e a televisão em preto e branco, mas se adaptou a todas as mudanças. No cenário geopolítico, conheceu o mundo com a União Soviética, com a Iugoslávia, a Tchecoslováquia, com duas "Alemanhas" divididas pelo Muro de Berlim, com a "Guerra Fria" e o debate "capitalismo X comunismo".

Já a "Geração Y", que abrange quem nasceu nas décadas de 1980 e primeira metade da década de 1990, sendo que alguns autores tem o marco inicial desta geração antes, na segunda metade da década de 1970, praticamente conheceu o mundo como se sempre existissem internet, celulares, TV a cabo, televisores coloridos e CDs. No plano geopolítico, para eles a Guerra do Golfo é tão antiga quanto a Guerra do Vietnã é para os "X" e a globalização de informações, mercadorias, marcas, notícias e conceitos é que sempre existiu. A velocidade dos acontecimentos e o volume de informações que hoje parece elevada para os "X" e elevadíssima para os "Baby boomers" (geração que precedeu a "X"), para eles é absolutamente normal.

Portanto, liderar este tipo de profissional requer algumas medidas que poderão ajudar a aproveitar todo o potencial deles, especialmente considerando-se que de acordo com a Exame (aqui) 40% dos "X" e "Y" se consideram "supertasker", ou seja, capazes de dar conta de duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. E o percentual de profissionais com este diferencial aumentará ainda mais, já que o pessoal da "Geração Z" está começando a ingressar no mercado de trabalho.

Então, de saída, o que vejo de mais importante é que os gestores e aqueles que tem o poder decisório nas empresas precisam estar dispostos a se adaptar, se possível convidando os "X" e "Y" a dar contribuições e ideias para que os processos de trabalho sejam mais ágeis e mais intensivos em tecnologia, preservando o capital intelectual para os processos que os sistemas e computadores não possam proceder. Isto é, o pessoal mais antigo precisa disponibilizar-se a entender que as coisas mudam e que ainda que os princípios básicos para a eficiência do trabalho sejam no geral imutáveis, as práticas evoluem e que esta evolução faz parte da ordem natural da vida.

Por outro lado, os "X" e "Y", na medida que forem se relacionando com gerações anteriores, precisam amadurecer e aproveitar para incorporar ao seu conhecimento a experiência e os ensinamentos dos mais velhos. Isto requer paciência, um atributo que esta geração ainda precisa trabalhar e aprimorar, já que a sua capacidade fantástica de lidar com a conectividade de aplicativos e aparelhos móveis lhes confere uma velocidade de pensamento que aparentemente é normal, mas por outro lado, propicia mais chances para erros e falhas.

Enfim, mais uma vez o eterno conflito de gerações precisa ser encarado e profissionais mais experientes e profissionais mais novos precisam apresentar habilidades de relacionamento e de empatia para que o trabalho seja produtivo e alcance resultados cada vez mais elevados, conforme as exigências do mercado.

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