domingo, 12 de outubro de 2014

A internet e as campanhas eleitorais

Estamos vivendo, em 2014, talvez aquela que seja a disputa presidencial mais renhida dos últimos 25 anos, se não, de toda a história republicana brasileira. O sexto confronto direto consecutivo (1994/1998/2002/2006/2010/2014) entre PSDB e PT alcançou um elevadíssimo grau de acirramento, no qual as redes sociais estão sendo amplamente dominadas pelos intermináveis debates e os eleitores de ambos os lados tem apresentado sua preferência com veemência às vezes assustadora.

Este acirramento nas redes sociais, mostra que o futuro das disputas eleitorais é indiscutivelmente a internet, o meio de comunicação por enquanto mais democrático, na medida em que os custos de campanha são menores do que os de impressão de material eleitoral ou com os programas de rádio e TV para o horário eleitoral "gratuito", o que enseja dos candidatos e de suas equipes principalmente criatividade e capacidade de mobilização.

A vereadora de Recife, Priscila Krause (DEM), é um excelente exemplo do uso da internet para o alcance de resultados eleitorais, já que ela conseguiu se eleger deputada estadual, com 47.882 votos, sem aparecer uma única vez sequer no horário eleitoral "gratuito". Claro que o fato de Priscila ser filha do ex-governador Gustavo Krause colaborou, mas ainda assim, a sua campanha foi mais eficiente e ela superou nomes tradicionais da política pernambucana, que não renovaram seus mandatos na Assembléia Legislativa.

Priscila Krause (DEM) abriu mão da televisão e baseou sua campanha para deputada na internet
Priscila Krause, eleita deputada estadual em Pernambuco.
Entretanto, este avanço importante no processo de escolha dos nossos representantes está somente no início, e, portanto, requer melhoramentos e aprimoramentos, especialmente no sentido do disciplinamento, evitando e coibindo o seu uso indiscriminado para práticas bastante questionáveis, como por exemplo, a divulgação de montagens fotográficas, de estatísticas que não se comprovam e a criação de perfis fakes (falsos) de eleitores adversários, para desqualificar os outros candidatos.

Em reportagem do UOL, foi mostrado que o verdadeiro "vale-tudo" em que as campanhas políticas, especialmente a presidencial, se tornaram, provocando até mesmo o fim de amizades, fato este que denota falta de maturidade política do eleitor brasileiro, já que o contraditório e o diverso não são bem aceitos e a discussão, que poderia sim, ocorrer sem problemas entre amigos, termina descambando para o lado pessoal, em um reflexo das acusações entre os candidatos. Isto só confirma que os políticos nada mais são do que representações do povo.

Então, posso dizer que vejo a internet como um caminho que ainda decidirá muitas eleições, especialmente a favor de candidatos "nanicos", que serão mais criativos e que já vem há algum tempo buscando este caminho para reduzir o abismo de recursos que os afasta das grandes candidaturas, mas preocupa-me o clima de "Fla X Flu", "Gre X Nal" e "Ba X Vi" que está cercando o processo eleitoral brasileiro.

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