domingo, 1 de junho de 2014

Estatísticas e comparações: a tortura dos números

Está circulando uma imagem nas redes sociais, que eu estava evitando comentar, porque certamente haverá quem queira dizer que tomo partido do governo anterior aos governos do PT, o que não é verdade, já que não me interessa e nem preciso tomar partido de ninguém. Entretanto, me vejo instado a comentar a respeito da imagem, pois ela divulga uma comparação claramente inconsistente.

A imagem em questão está logo abaixo:

Foto: Quem sempre pregou o medo do desconhecido, agora está com medo de um Brasil que já se provou melhor, sem ao menos aceitar o debate sobre as diferenças. É preciso aprofundar o debate e discutir desemprego, inflação, salário mínimo. E comparar com o passado. No site a gente fez essa análise: http://goo.gl/UXkR2m

O problema é que há na imagem um comparativo sob aspectos macroeconômicos, sociais e de produção de energia, mas esta comparação é inconsistente, porque promove um "confronto" de governos e de partidos, mas não com as mesmas "armas", começando pelos períodos em si, pois o PSDB governou 8 anos e o PT já está no 12º ano de governo.  

Digo isto também porque, como 2002 foi o último ano em que o PSDB governou o país, é, portanto, o ponto de partida, ou ainda, a situação na qual o PT assumiu o governo. Assim, a análise sobre o governo do PT apresenta o ponto de partida e a atual situação, ou seja, uma trajetória. Todavia, não consta nesta figura o ponto de partida do governo do PSDB (o ano de 1994 - último do governo Itamar Franco), somente o ponto final, o que, no meu ponto de vista, invalida a comparação.

Verifiquemos, por exemplo, o item "Capacidade energética", para o qual a figura garante que entre 2001 e 2013, houve um crescimento de 64,3% (de 74.800 MW para 122.900 MW). A primeira inconsistência é que a figura reivindica para o atual governo os resultados do ano de 2002, no qual, ainda governava o PSDB. A segunda inconsistência é aquela que apresentei no parágrafo anterior, pois imagine que em 1995, a produção fosse de 45.000 MW. O crescimento teria sido de 66,2%, em 8 anos (no caso 7, pois os dados são de 2001, 7º ano do governo PSDB), contra 12 anos (2002 contou para o outro lado, mas não estavam disponíveis dados de 2014) do governo do PT.

Não quero, entretanto, defender nenhum dos dois lados, nem mesmo discuto a veracidade dos dados apresentados, pois não tenho elementos nem evidências para dizer que sejam falsos, mas como eleitor e cidadão, desejo que o debate e a discussão se dê nas condições corretas, inclusive estatisticamente, pois como já apresentei aqui mesmo neste blog (aqui), a estatística muitas vezes é a tortura dos números e é usada para a distorção da realidade. 

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