quinta-feira, 1 de maio de 2014

Senna: o exemplo que fica

Hoje, completam-se 20 anos do falecimento do tricampeão mundial de F-1, Ayrton Senna, aos 34 anos de idade, no autódromo de Ímola, na cidade italiana de Bologna. Como seria de se esperar, tratando-se de um ídolo desta magnitude, uma verdadeira lenda da velocidade, homenagens e mais homenagens foram feitas e uma delas chamou a minha atenção.

A homenagem em questão foi uma reportagem do site Uol (aqui), na qual é ressaltada a importância do exemplo que Senna deixou para gerações que só podem vê-lo através de vídeos e não tiveram a sorte de vivenciar as emoções que muitos viveram com suas atuações mitológicas e feitos improváveis.
Senna chegou à F-1 em uma época na qual o Brasil estava saindo do regime militar e não estava tão em alta no futebol. Pois exatamente em momentos de tristeza nacional, ele venceu e consolou os brasileiros. Sua primeira vitória, no GP de Portugal de 1985, foi no dia da morte do Presidente Tancredo Neves. Em 1986, venceu o GP dos Estados Unidos no dia seguinte à eliminação do Brasil na Copa, frente à França. Senna venceu seguido por dois franceses (Jacques Laffite em 2º e Alain Prost em 3º). Esta vitória nos Estados Unidos foi a primeira em que ele comemorou da forma que se tornou sua marca registrada: a volta da vitória com a bandeira brasileira.
Não há como negar que essa imagem marcou os nossos domingos e que aliada à mensagem que Senna sempre deixou de que o trabalho, a determinação e a obstinação eram fundamentais e talvez mais importantes que o talento, forma um exemplo arrebatador e inspirador que contagia gerações até hoje. E não por acaso, Senna conquistou uma legião de fãs no Japão (talvez tão fieis quanto os brasileiros), país que cultiva exatamente estes valores.
Entretanto, Senna estava longe de ser infalível. Envolveu-se em diversas polêmicas, enfrentou o poderoso Presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Jean-Marie Balestre, chegou às vias de fato ou quase isso, com Elio de Angelis (então companheiro de equipe), Nigel Mansell, Michael Schumacher e Eddie Irvine. Em 1986, vetou o inglês Derek Warwick como companheiro de equipe, mas esbravejou veementemente quando Alain Prost fez o mesmo 7 anos depois. Seu primeiro companheiro de equipe na F-1, o venezuelano Johnny Cecotto fala em mágoas a seu respeito, já outro ex-companheiro, Satoru Nakajima, agradece por lições e ensinamentos dados, e o austríaco Gerhard Berger foi seu melhor amigo e voluntariamente assumiu a dolorosa missão de fazer o reconhecimento de seu corpo, exigido pela Justiça italiana, mesmo se tratando de uma morte vista pelo mundo inteiro. 

O que tornou Senna o mito que é hoje foi um conjunto de fatores: o primeiro, evidentemente, era o seu talento inesgotável, que lhe permitia conseguir uma pilotagem quase sobrenatural em alguns momentos, mas também a sua obstinação e suas polêmicas e incoerências, o que mostrava seu lado mais humano, ou seja, de certa forma, cada um de nós se identificava com ele e lembra de algum momento na pista. E olha, que nem falamos sobre o Instituto Ayrton Senna, mas por tudo isso, ele se tornou admirado por milhões em todo o mundo.
Este é o exemplo que fica.
"O importante é vencer. Tudo e sempre."
Ayrton Senna da Silva (1960-1994)

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