terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Brasil de muitas moedas

Já disse o filósofo grego Platão: "a necessidade é a mãe das invenções". É neste cenário de necessidades e anseios que normalmente surgem as melhores ideias e inovações, a não ser quando se é Steve Jobs, que muitas vezes "criou" as necessidades ou as antecipou, oferecendo as atraentes soluções da Apple logo em seguida.

Mas como não estamos falando de Jobs, vamos seguir abordando necessidades que surgem e para as quais é preciso pensar e formular soluções, às vezes por anos a fio. Um excelente exemplo é o das pequenas cidades, aquelas tão pequenas que não tem sequer uma agência bancária, o que é uma dificuldade de grandes proporções já que vivemos no capitalismo, sendo, portanto, o dinheiro um elemento importante, muito além da esfera puramente econômica.

Imaginemos como deve ser complicado ter de se deslocar à outra cidade para fazer saques e consequentemente para adquirir a maioria dos bens e serviços de que precisamos. Além deste inconveniente, esta lacuna provocada pela falta de circulação interna da moeda faz com que a riqueza local sempre seja deslocada a outros centros, maiores, o que impede o crescimento econômico das localidades.

A solução encontrada por cidades e eventualmente por bairros de grandes centros no Brasil é a criação e emissão de moedas locais, exclusivas de cada grupo. Com a paridade estabelecida, que normalmente é de 1:1 em relação à moeda oficial, o Real, é possível fazer o câmbio na própria cidade, através de bancos locais, que além de casas de câmbio, funcionam também como unidades de microcrédito e fomento ao empreendedorismo.

No Brasil já funcionam mais de 30 iniciativas como esta, auxiliadas inclusive pelo governo, já que a Secretaria Nacional de Economia Solidária atua com esta finalidade, bem como há o reconhecimento do Banco Central, com a condição de que a moeda própria só tenha validade dentro do espaço para o qual foi concebida. Os casos mais conhecidos são: o cocal, moeda criada em São João do Arraial-PI, o maracanã, moeda do município de Maracanaú-CE e a CDD, moeda da Cidade de Deus-RJ, dentre outros.

As vantagens desta solução são, em termos econômicos, a facilidade para a circulação de recursos dentro da própria comunidade, acelerando o processo de criação de riqueza e de crescimento econômico, além de aumentar o número de empreendimentos locais e atraindo empreendimentos "forasteiros", o que também ajuda para manter os recursos em movimento dentro daquele espaço o maior tempo possível. Em termos sociais, há o reforço do sentimento de identificação e de pertencimento ao local, portanto, estamos falando de uma solução barata e engenhosa.

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