quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A montanha russa da SELIC

Pela sexta vez consecutiva as autoridades monetárias decidem por aumentar a taxa básica de juros da economia brasileira, a SELIC. Isto significa, em linhas gerais, que há um excesso de consumo representado pela abundância de liquidez ou excessiva circulação de moeda na economia brasileira, o que implica na alta generalizada dos preços, a conhecida inflação, porque há mais demanda do que oferta de bens.

Analisando a variação da Taxa SELIC nos últimos anos, verifica-se que há uma alternância claramente perceptível de ciclos de alta e ciclos de baixa. Isto quer dizer que, em momentos de alta, o governo procura restringir o consumo até que a inflação arrefeça e entre em níveis aceitáveis ou que se aproxime das metas estabelecidas. Neste momento, porém, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) cresce a níveis insatisfatórios ou até decresce, o que indica perda de atividade econômica. Neste momento, como forma de estímulo (uma das possíveis) ao consumo, o governo promove reduções da taxa de juros, até que o consumo seja superior à oferta e o excedente seja reprimido ou não atendido, implicando assim em alta inflacionária e novos aumentos dos juros.

Esta "montanha russa" pode mudar de rumo se outros fatores que interferem na economia forem modificados, a exemplo dos investimentos em infra-estrutura e da carga tributária, especialmente sobre o emprego. Quando os investimentos realmente se concretizam, aumentam-se as condições para novos empreendimentos, aumentando portanto a oferta, o que contribui no controle da inflação. Já a diminuição dos encargos empregatícios permite que as empresas contratem mais mão-de-obra, o que diminui o desemprego e permite que mais famílias consumam.

O que quero dizer, enfim, é que esse "jogo de sobe e desce" da SELIC serve somente a contingências, sem maiores consequências no médio e longo prazo e que provavelmente será conduzida pelo governo para que em 2014, um ano eleitoral, a SELIC possa ser reduzida, com a inflação sob relativo controle e o consumo possa ser fartamente liberado, provocando assim a sensação de bem-estar e de sucesso da economia brasileira. Esta não é a solução que o Brasil precisa para controlar a inflação. 

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