segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A cultura da complacência

Quem acompanha futebol (e quem não acompanha também) ficou chocado com a morte estúpida do jovem boliviano Kevin Espada, de 14 anos, no jogo San José (Bolívia) X Corinthians, na cidade de Oruro, pela Taça Libertadores da América. A morte ocorreu após o mesmo ter sido atingido no olho por um sinalizador disparado por um torcedor do Corinthians, menor de idade.

Diante da gravidade do fato, a Conmebol, o órgão que regulamenta o futebol na América do Sul, puniu o Corinthians com a proibição da presença de sua torcida nos próximos jogos da Taça Libertadores, inclusive em São Paulo. A reação de alguns comentaristas me impressionou, pois manifestaram-se contra a punição, com a alegação de que a atitude de um torcedor não poderia prejudicar todos os outros. Entra em cena mais uma vez a "cultura da complacência".

Lamento que haja quem pense assim, pois se a Conmebol tiver de recuar, perde uma chance de ajudar a moralizar e recivilizar o futebol. Na Europa, os hooligans do Liverpool provocaram uma tragédia gigantesca na final da Liga dos Campeões Europeus, contra a Juventus, da Itália, com dezenas de torcedores que morreram pisoteados. A punição da UEFA foi severa: durante 5 anos todos os clubes ingleses foram banidos de competições internacionais. Repito: TODOS os clubes ingleses, e não apenas o Liverpool. 

Esta medida fez os dirigentes do futebol inglês repensar suas ações e iniciar uma campanha fortíssima contra os hooligans, incluindo fichamento e proibições de acesso aos estádios, e hoje o futebol inglês é exemplo de ordem e organização, sem complacência com a baderna e a selvageria.

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