segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cadê a independência?

Hoje, aqui na Bahia, comemora-se o feriado de "Independência da Bahia", ou como dizem alguns, mais conscientes, "Consolidação da Independência do Brasil", já que o 02/07/1823 (189 anos atrás), na Bahia, marcou a expulsão dos últimos portugueses que ainda combatiam na defesa do regime de dominação lusitano.

Para mim, esta data na verdade é apenas mais uma marca da história brasileira, que tenta exibir heroísmo e nobreza de intenções que não existem. Além disto, penso também que é um momento muito bom (assim como o Sete de Setembro) para fazermos reflexões sobre os rumos da Bahia e do Brasil, pois de fato houve luta para rejeitar o jugo português, que impunha uma tributação de 20%, ou seja, de 1/5 dos ganhos, o que deu margem à criação da expressão "quinto dos infernos". Para pôr fim ao "quinto dos infernos", houve diversos movimentos, com destaque para a Inconfidência Mineira, já que este dinheiro todo servia para arcar com os desperdícios e a incompetência financeira da corte portuguesa.

Agora, o principal ponto de reflexão para estas datas simbólicas: antes, os impostos nos levavam 20% da renda e houve rebeliões, mas agora são quase 40%, e não há nenhuma movimentação clara no sentido de corrigir o quadro, somente a revolta das mesas de bar, sem maiores consequências, nem mesmo na hora do voto, quando temos algum poder para fazer mudanças. Qual será o nível de "exploração" que teremos de sofrer para se justificar mudanças drásticas na relação Estado X Sociedade?

Afora isto, quase 200 anos depois, o destino do dinheiro dos impostos é de certa forma similar: antes, o luxo e as dívidas intermináveis da corte portuguesa, agora são os luxos e os desperdícios do gigantesco aparato estatal, que sim, possui instituições sérias, profissionais corretos, mas que se sobressai mesmo é por seus corruptos, negociatas, leis inúteis e que só atingem aos mais pobres, ou seja, na prática, uma nova corte, só que instituída pelo voto.

Sendo assim, e pela minha visão de que o Estado existe para servir à Sociedade, contribuindo para a manutenção de um ordenamento civilizado e igualitário, além de permitir os saltos de desenvolvimento econômico e social que precisam ser feitos, eu pergunto: Cadê a independência?

Até mais!

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