domingo, 20 de maio de 2012

Austeridade para todos!

A crise econômica que se instalou na União Européia traz mais uma vez uma discussão sobre como as finanças dos Estados devem ser geridas. Esta discussão é a respeito da chamada austeridade fiscal, que é o controle dos gastos do Estado, para que possa-se gastar menos do que é arrecadado e portanto, formar superávits ou sobras de recursos, que normalmente são utilizadas no pagamento das dívidas.

Há um segmento da classe política que tem certa ojeriza à austeridade, e que vem obtendo êxitos eleitorais, a exemplo do novo Presidente da França, François Hollande, que se elegeu com um discurso anti-austeridade, bem ao gosto do povo francês. Aliás, bem ao gosto de muitos povos mundo afora, pois quem não gosta de saber que terá benefícios do Estado? Nos tempos de prosperidade, tudo tranquilo, as empresas produzem mais, faturam mais, o Estado arrecada mais e tem condições de distribuir benefícios, alguns discutíveis na minha opinião. Nos tempos de crise, fica difícil manter os benefícios e o Estado passa a gastar mais do que arrecada, resultando em endividamento.

O lado engraçado nessa ojeriza à austeridade é que coloca-se o Estado acima da Sociedade, como seu dono ou senhor, quando na verdade, o Estado deve servir à Sociedade. Digo isto porque, tenho certeza, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, ao ver uma família endividada vai logo propor que corte gastos e resolva suas dívidas. Porque não pensar ser assim no caso dos Estados? Os Estados tem direito de se endividar sem limites e passar calotes?

A austeridade sempre é tratada como resultante de um "monstro", chamado neoliberalismo, que na visão destes, quer destruir os Estados, quer que o dinheiro do povo vá para os bancos e outras tantas argumentações anti-liberais. Pessoalmente, defendo que os Estados se organizem financeiramente e evitem os desperdícios e os benefícios descabidos. Defendo também que paguem o que devem como qualquer pessoa, podendo até renegociar e auditar as dívidas, o que não pode é dar calote.

Ser austero é de fato ser impopular (o que causa urticárias nos políticos), mas também é necessário, responsável e correto. É questão de prioridades, para evitar que os recursos sejam aplicados em benefícios populistas, mas não sejam aplicados para gerar um sistema de saúde pública eficiente, um sistema educacional público de qualidade, para obras de infra-estrutura que permitam o crescimento do PIB e a geração de empregos e para uma política de segurança que realmente funcione.

É para refletir e decidir o que é mais importante.

Obrigado.

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