quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Copa 2014 e bebidas alcoólicas: pode ou não pode?

Hoje eu tive a oportunidade de ouvir uma discussão em um programa da Rádio Metrópole, de Salvador, a respeito da possibilidade de ser permitida a comercialização de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros durante a Copa do Mundo FIFA 2014. A apresentadora e seu convidado, um promotor, posicionados claramente contra esta possibilidade, apresentaram diversos motivos, inclusive números, para justificar sua posição.

Eu penso que apesar de todo o bom mocismo, as razões para proibir o consumo de bebidas nos estádios, ao menos durante a Copa, são muito mais econômicas e de conflito de interesses do que quaisquer outras existentes. Houve questionamentos inclusive ao modelo estabelecido pela FIFA, que prevê, para qualquer país que deseje realizar a Copa, a permissão para comercialização e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. O que é óbvio, uma vez que os principais patrocinadores são cervejarias.

A apresentadora e o convidado falaram que o Brasil é soberano e que a FIFA não pode dizer ao nosso governo o que fazer, e eu concordo, mas se pudesse, lembraria aos dois que a FIFA é independente e não é obrigada a realizar a Copa em um país que não queira seu modelo, podendo, portanto, desistir do Brasil e voltar à Alemanha ou aos Estados Unidos, que atenderão todos os requisitos de muito bom grado.

Como motivos para a proibição, apresentaram números que mostram a queda no número de ocorrências em jogos de futebol, o que me motivou a pensar então que poderia-se estender tal proibição, por exemplo, ao Carnaval. Ou será que não interessaria, pois os patrocinadores do Carnaval são cervejarias nacionais? Talvez ligadas a políticos e outras autoridades. Ninguém nunca sequer ousou pensar em proibir as bebidas no Carnaval, mesmo com os altos índices de violência registrados (e principalmente não-registrados).

A alegação respalda-se ainda na rivalidade entre as torcidas, que inflamada pela bebida, resultaria em batalhas campais que a polícia não consegue controlar. Entretanto, foi admitido como normal a prática de alguns cinemas de oferecer vinhos, espumantes e outras bebidas, já que ali não há rivalidade. Ora, então o problema não é o álcool, mas sim a rivalidade. Não me assustarei se propuserem acabar com o futebol no Brasil.

O mais interessante de tudo é que nem a apresentadora, nem seu convidado, abordaram a falta de educação das pessoas. Apesar do convidado ter dito que não, mas duvido que não se venda cerveja nos estádios ingleses e alemães. Nos EUA, os filmes mostram as pessoas bebendo durante jogos de hóquei e nem por isso há carnificinas. É mais fácil varrer para debaixo do tapete as reais causas do problema e agir como um censor, criando um monte de leis, cerceando a liberdade das pessoas cada vez mais, generalizando todos os comportamentos e pré-concebendo que todos são marginais em potencial.

Este excesso de leis que não servem pra nada e de politicamente correto aborrece qualquer um e serve para o estado esconder sua incompetência e jogar toda a responsabilidade sobre a sociedade que o mantém.

Até mais,

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