domingo, 22 de janeiro de 2012

A estatística e a tortura dos números

Quem puder ou quiser, poderá fazer um teste disponível no site da Folha de São Paulo (clique aqui), para verificar a qual classe social pertence. Ao fazer este teste, sinceramente, me surpreendi muito, porque os resultados são totalmente fora do que eu poderia supor, muito diferentes mesmo. Lembrei até de uma frase famosa
que diz: "A estatística é a arte de torturar os números até que eles se confessem", do Professor José Juliano de Carvalho Filho, da Universidade de São Paulo.

Porque este pensamento de "tortura dos números"? Porque há um enorme interesse do governo, de qualquer partido, que seu período seja lembrado como um período em que as pessoas passaram por ascensão sócio-econômica generalizada ou por um "surto de prosperidade". Desta maneira, os fins passam a justificar os meios e os números são torturados até "sangrar". Façam este teste e entenderão o que estou dizendo.

Qualquer pessoa que informar qualquer "meia-dúzia" de bens vai ser enquadrado como classe alta ou média alta, quando muitas vezes mal paga as contas. Sinceramente, não é fazendo pouco ou querendo desmerecer a metodologia desenvolvida, mas os resultados não são percebidos pelas pessoas como reais, o que no mínimo merece uma reflexão mais aprofundada. Na minha modesta opinião, o motivo é basicamente que os bens listados foram tratados como determinantes e outros aspectos como endividamento foram ignorados (ao menos para quem apenas vê o teste e não teve acesso à metodologia).

Outra classificação deste tipo que me intriga é a da FGV, uma das instituições acadêmicas mais bem conceituadas do Brasil, e talvez do mundo, que nos apresenta o seguinte:

Classe A: Acima de R$ 6.329,00
Classe B: de R$4.854,00 a R$6.329,00
Classe C: de R$1.126,00 a R$4.854,00
Classe D: de R$705,00 a R$1.126,00 
Classe E: de R$0,00 a de R$705,00

Será mesmo que um profissional que ganha R$ 6.329,00 mensais pode estar na mesma classe de um jogador de futebol, que ganha R$ 600.000 mensais (e tem jogador que ganha até mais)? Vejamos a classe C, e verifiquemos se alguém que ganha R$ 1.126,00 pode ser considerado com o mesmo poder aquisitivo de quem ganha R$ 4.854,00 (4,3 vezes mais!). É uma diferença grande, de R$ 3.728,00. Percebam o intervalo da Classe B (R$ 1.475,00) e da Classe D (R$ 421,00). Fica a proposta de reflexão.

Até a próxima, amigos!

2 comentários:

  1. Mais que uma proposta de reflexão é uma ato de acusação! Porque a meu modestíssimo parecer essas faixas e esses métodos, como você justamente disse, não descrevem o que o povo "sente".
    Mas a classe C é aquela que de verdade chega a nos provocar o sorriso porque realmente considerar da mesma classe social alguém que ganha 3 vezes a mais do que eu ou vice versa é sinceramente ridículo.
    A manipulação das estatísticas dos políticos e da mídia é uma arte que vem de longe...
    infelizmente.
    Mussolini se ferrou por causa de isso, confio nas estatísticas dos seus generais e entrou em uma guerra que não tinha como ser enfrentada... Mas as estatísticas falavam pra ele que a Itália era a nação mais forte de mundo...
    Acho que estou assistindo ao mesmo film nesse momento no brasil... graças a Deus não é para entrar em nenhuma guerra mas só para a presidenta poder dizer aos países europeus de aprender com o Brasil... kkkkk só dando risada mesmo...
    Grande Marcelo, é um prazer ler seus pontos de vista.

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    Respostas
    1. Prezado Ivanochef,

      Fico feliz de saber que gosta dos meus pontos de vista e saiba que seu comentário é um estímulo para que eu continue escrevendo e apresentando o que penso a respeito dos diferentes assuntos.

      Abraço,

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