quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Selic: Uma estratégia de risco

A presidente Dilma Rousseff vem deixando cada vez mais claro qual é o seu pensamento a respeito da condução que deve ser dada à taxa básica de juros, a SELIC. Ela, assim como muita gente, tanto nos setores empresariais, quanto entre os sindicatos de trabalhadores, entende que o
momento é de promover cortes nos juros, mesmo com a inflação em tendência crescente no Brasil, o que é uma prática incomum, ou como se diz no jargão econômico, heterodoxa.

A inflação está de fato crescendo (superou 7% nos últimos 12 meses), e poderá crescer ainda mais com os cortes na SELIC, que podem servir de estímulo ao consumo, que se não for suprido, ou seja, se não houver oferta suficiente, provocará a temida alta generalizada dos preços. Por outro lado, as altas taxas de juros, em alguns casos inviabilizam a implantação de novos empreendimentos que possam gerar emprego e renda, além de penalizar o já sofrido trabalhador, de forma que olhando por este ângulo, a solução é "passar a tesoura" na SELIC, e logo!

Só que para poder combinar combate à inflação, com baixas taxas de juros, e crescimento da economia, será fundamental que o Brasil avance, e muito, em termos de infra-estrutura, além de promover uma ampla melhoria na ambiência de negócios, com adoção de sistema tributário racional e eficiente. O ranking do Banco Mundial classifica o Brasil como o 127º melhor país do mundo para formar negócios, e em 152º lugar quando o assunto é sistema tributário, sendo o recordista mundial em horas gastas para lidar com os tributos.

Diante deste cenário, fica claro que a proposta de reduzir a SELIC, hoje em 12% anuais, para 9% anuais, no fim de 2012, e conforme análises que já vi, 5% anuais no fim de 2014, é uma proposta de risco. Se as variáveis ambiência para negócios e infra-estrutura não forem melhoradas, a decisão se revelará desastrosa. É aguardar e torcer, porque ou o Brasil começa aqui um grande ciclo de crescimento, ou começa um novo mergulho nas profundezas da inflação.

Até a próxima!

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